Oriente seus clientes: Arábia Saudita é a bola da vez

Devido às transformações nas matrizes energéticas, a Arábia Saudita está repensando estratégias para manter sua prosperidade econômica, visto que o petróleo não apresenta mais as perspectivas otimistas e ilimitadas de outrora.

No processo de revisão e modernização de sua economia, que ainda depende substancialmente do petróleo, a Arábia Saudita, dona da segunda maior reserva e sendo a maior exportadora mundial do produto, tem direcionado projetos e recursos para setores variados, como infraestrutura, sustentabilidade, alimentação e inteligência artificial.

Estreitamento de relações comerciais com o Brasil

Recentemente, a secretária de Comércio Exterior do Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Tatiana Prazeres, destacou a importância do fortalecimento das relações com a Arábia Saudita, que pode servir como “porta de entrada” para o Brasil ampliar as trocas comerciais com o Oriente Médio. Uma comitiva saudita visitou o Brasil em julho, prometendo intensificar investimentos no país.

Em 2022, o intercâmbio comercial entre Brasil e Arábia Saudita atingiu US$ 8,2 bilhões, com o Brasil exportando US$ 2,9 bilhões e importando US$ 5,3 bilhões. Carnes, açúcar e cereais compõem 68% das exportações brasileiras, com a carne representando 35% deste total. Por outro lado, 95% das importações brasileiras são de combustíveis minerais, fertilizantes e plásticos, sendo os combustíveis a maior parcela, com 75%.

Visão 2030 e a busca por segurança alimentar

A Arábia Saudita busca diversificar sua economia com o plano “Visão 2030”, que inclui desenvolvimento industrial, turismo e agronegócio. Devido à sua dependência em segurança alimentar, o país oferece incentivos para empresas estrangeiras, como a BRF, que se propõe a instalar uma unidade de processamento de frangos e outros alimentos no território saudita.

A nação, com a maior população do Oriente Médio, enfrenta limitações severas em sua capacidade agrícola, não conseguindo produzir trigo, carne ou outros alimentos no deserto, tornando-se dependente de fornecedores alternativos, como o Brasil. Para eles, o custo para produzir frango é 2,5 vezes o brasileiro. Cultivar trigo, por sua vez, custa quatro vezes mais do que para os Estados Unidos ou a Rússia.

Perspectivas de investimento em setores diversificados

Os sauditas veem o Brasil como um caminho natural para investimentos em setores como energia alternativa, mineração, indústria farmacêutica, defesa e alimentos.

Eles prometeram US$ 10 bilhões em investimentos em infraestrutura aqui, durante o governo Bolsonaro. Porém, devido à falta de projetos, esse dinheiro não veio. Então, agora nos falta apresentar projetos viáveis.

Um exemplo é a Ferrogrão, a ferrovia que conectará Pará, Mato Grosso, Goiás, Tocantins. Ela é de grande interesse para os árabes, porque melhorará o fornecimento de soja e de milho.